Premium Flight Experience™: da fila para a casa de banho ao safari de autocarro pelo aeroporto

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Premium Flight Experience™: da fila para a casa de banho ao safari de autocarro pelo aeroporto

Há experiências que nos lembram porque viajar continua a ser uma aventura.

Saímos de Nice rumo a Lisboa. Companhia tradicional, preços pouco tradicionais e expectativas perfeitamente razoáveis para uma viagem europeia de pouco mais de duas horas.

A experiência começa normalmente. Até ao momento em que alguém decide visitar a casa de banho.

É aí que descobrimos uma das grandes inovações da aviação moderna: dois lavabos para um avião inteiro, onde um parece servir um pequeno grupo de passageiros e o outro assume heroicamente a missão de atender praticamente toda a restante cabine.

Pelo meio, surge o carrinho das refeições, estrategicamente estacionado no corredor como quem fecha a Segunda Circular em hora de ponta. Se existir turbulência, melhor ainda: a viagem transforma-se numa espécie de escape room aéreo onde o objetivo final é simplesmente conseguir chegar à porta da casa de banho antes da aterragem.

Uma necessidade básica deixa de ser uma necessidade básica e passa a ser um exercício de planeamento logístico digno de um centro de operações aeroportuárias.

Mas a verdadeira experiência premium ainda estava para começar.

A aterragem acontece em Lisboa e surge imediatamente a primeira pergunta:

“Então… onde está a manga?”

Não há manga.

Não há escada.

Na verdade, alguns minutos depois surge o anúncio do piloto:

“A escada ainda não chegou.”

É uma frase extraordinária.

O avião chegou.

Os passageiros chegaram.

As malas chegaram.

A escada, aparentemente, continuava em trânsito.

Durante alguns segundos instala-se um momento quase filosófico dentro da cabine: afinal, o que significa realmente chegar? Será quando as rodas tocam na pista? Quando se abre a porta? Ou apenas quando a escada decide finalmente comparecer ao compromisso?

Eventualmente, a escada chega.

E logo a seguir chega o autocarro.

E não um simples autocarro. Um autocarro que proporciona ao passageiro uma visita praticamente guiada às instalações aeroportuárias, permitindo apreciar pistas, hangares, veículos operacionais e provavelmente zonas do aeroporto que nem alguns funcionários conhecem particularmente bem.

Por momentos, fica a sensação de que não aterrámos em Lisboa, mas sim que iniciámos uma excursão panorâmica pela infraestrutura aeroportuária nacional.

O mais curioso é imaginar a experiência executiva.

Imagine pagar mais pelo conforto, pela prioridade, pelo embarque preferencial e pelo espaço extra para as pernas, apenas para terminar a viagem dentro do mesmo autocarro, comprimido entre malas de cabine, mochilas e dezenas de outros passageiros, todos unidos pela mesma barra metálica para evitar cair na próxima curva.

É a democratização do transporte aéreo em estado puro.

Naturalmente surge a pergunta: será que alguns voos têm acesso direto ao terminal enquanto outros são convidados a conhecer cada centímetro quadrado do aeroporto? Será uma questão operacional? Disponibilidade? Custos? Geografia? Alinhamento dos planetas?

Porque, curiosamente, continuamos a assistir diariamente a passageiros de outros voos a desembarcarem diretamente no terminal, enquanto outros iniciam mais uma etapa da jornada sobre rodas.

E é aqui que surge talvez a pergunta mais portuguesa de todas.

Como é possível que a principal companhia aérea portuguesa, operando no principal aeroporto português, na principal cidade portuguesa e no seu principal hub, tantas vezes pareça ter menos prioridade no próprio quintal do que muitos visitantes ocasionais?

Uma companhia nacional sem manga.

Sem posição próxima.

Sem desembarque direto.

Sem qualquer sinal de tratamento preferencial no seu próprio solo.

É quase como ser convidado para a própria casa e ter de esperar pelo autocarro do vizinho para entrar.

Naturalmente, parte desta realidade não depende exclusivamente da companhia aérea. Existem limitações operacionais, gestão aeroportuária e uma infraestrutura que há muitos anos vive acima da capacidade para a qual foi desenhada.

Mas para o passageiro comum, a sensação é outra: compra-se um bilhete de avião e recebe-se gratuitamente uma experiência multimodal composta por voo comercial, fila para a casa de banho, gestão avançada de corredores, reflexão existencial sobre escadas desaparecidas, passeio panorâmico pelas pistas e transporte terrestre complementar até às chegadas.

Tudo incluído.

Sem custos adicionais.

No fundo, talvez seja isso que signifique uma experiência verdadeiramente integrada de mobilidade.

E nesse departamento, é justo reconhecer que TAP Air Portugal e o aeroporto de Lisboa continuam empenhados em proporcionar muito mais do que apenas um voo.

Muito mais.

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